Close-up of ripe cacao pods in Paragominas, Pará, Brazil, showcasing agricultural abundance.

Plano Inova Cacau 2030: estratégia nacional para tornar o Brasil referência mundial em cacau sustentável

O Brasil deu um passo estratégico para retomar o protagonismo global na produção de cacau com o lançamento do Plano Inova Cacau 2030, uma iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), coordenada pela CEPLAC, em parceria com o setor privado. O plano estabelece diretrizes claras para aumentar a produção, fortalecer a sustentabilidade e melhorar as condições sociais e econômicas nas regiões produtoras.

Com foco no desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica e governança integrada, o Inova Cacau 2030 busca consolidar o país como uma origem confiável de cacau sustentável para o mundo.


Contexto da cacauicultura brasileira

O Brasil já figurou entre os maiores produtores globais de cacau, chegando a responder por cerca de 25% da produção mundial. No entanto, fatores como a crise internacional de preços, problemas econômicos internos e o avanço da vassoura-de-bruxa provocaram uma queda significativa na produção a partir da década de 1990.

Atualmente, mesmo com a recuperação da Bahia e a expansão do cultivo no Pará — estados responsáveis por aproximadamente 95% da produção nacional — o país ainda enfrenta déficit de oferta frente à demanda interna e internacional. Esse cenário reforça a importância de políticas públicas estruturadas para o setor.


Objetivo do Plano Inova Cacau 2030

O principal objetivo do Plano Inova Cacau 2030 é consolidar o Brasil como referência mundial em produção sustentável de cacau, garantindo aumento de produtividade, conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida de produtores e trabalhadores rurais.

A meta central é superar a marca de 400 mil toneladas de cacau por ano até 2030, aliando crescimento econômico à responsabilidade socioambiental.


Os quatro eixos estratégicos do Inova Cacau 2030

1️⃣ Eixo Econômico-Produtivo

Focado no aumento da eficiência produtiva e da renda dos produtores, o plano prevê:

  • Expansão sustentável de áreas cultivadas;
  • Revitalização de lavouras antigas;
  • Ampliação do acesso à assistência técnica (ATER);
  • Fortalecimento do crédito rural via Plano Safra;
  • Uso de materiais genéticos melhorados.

2️⃣ Eixo Social

O eixo social prioriza a valorização do trabalho no campo, com destaque para:

  • Combate ao trabalho infantil e análogo à escravidão;
  • Fortalecimento do cooperativismo e associativismo;
  • Ampliação da participação de mulheres e jovens na cadeia produtiva;
  • Melhoria das condições de trabalho e renda no meio rural.

3️⃣ Eixo Ambiental

O plano posiciona o cacau como vetor de conservação produtiva, estimulando:

  • Sistemas agroflorestais;
  • Recuperação de áreas degradadas;
  • Expansão do cultivo apenas em áreas antropizadas;
  • Apoio a mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA);
  • Monitoramento do desmatamento ilegal.

4️⃣ Eixo Governança

A governança garante integração entre poder público, setor privado e sociedade civil, promovendo:

  • Planejamento estratégico contínuo;
  • Monitoramento de metas e indicadores;
  • Fortalecimento da pesquisa, inovação e tecnologia;
  • Consolidação de dados confiáveis sobre a cacauicultura nacional.

Impactos esperados até 2030

Com a implementação do Plano Inova Cacau 2030, espera-se:

  • Aumento significativo da produção nacional;
  • Maior competitividade do cacau brasileiro no mercado internacional;
  • Geração de renda e inclusão social no campo;
  • Preservação ambiental aliada à produção agrícola;
  • Expansão do mercado de chocolates de origem e alto valor agregado.

Conclusão

O Plano Inova Cacau 2030 representa uma virada estratégica para a cacauicultura brasileira. Ao integrar inovação, sustentabilidade, inclusão social e governança eficiente, o Brasil se posiciona para recuperar espaço no mercado global, agregando valor ao produto e fortalecendo toda a cadeia do cacau e do chocolate.

Para produtores, cooperativas, indústrias e consumidores, o plano sinaliza um futuro mais sustentável, competitivo e socialmente responsável para o cacau brasileiro.

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