Adubação

Guia Profissional de Adubação do Cacaueiro (Theobroma cacao L.) – Base CEPLAC


1. Princípios da Adubação do Cacaueiro segundo a CEPLAC

A CEPLAC recomenda que toda adubação seja baseada em análise de solo e, quando possível, análise foliar, evitando aplicações empíricas.

Fundamentos Técnicos:

  • Correção do solo antes da adubação;
  • Parcelamento das doses ao longo do ano;
  • Prioridade à matéria orgânica;
  • Ajuste das doses conforme idade e produtividade;
  • Integração entre adubação mineral e orgânica.

2. Análise de Solo e Correção da Acidez

Amostragem do Solo:

  • Coletar amostras na profundidade de 0–20 cm;
  • Realizar antes da implantação ou da adubação anual;
  • Representar adequadamente a área.

Correção do Solo:

  • pH ideal: 5,5 a 6,5;
  • Saturação por bases (V%): ≥ 50%;
  • Aplicação de calcário dolomítico conforme análise;
  • Gesso agrícola em solos com deficiência de cálcio em subsuperfície.

A correção deve ser feita com antecedência mínima de 60 a 90 dias do plantio.


3. Exigências Nutricionais do Cacaueiro

Macronutrientes Essenciais:

  • Nitrogênio (N): crescimento vegetativo e produção;
  • Fósforo (P): desenvolvimento radicular e florescimento;
  • Potássio (K): enchimento de frutos e resistência a estresses;
  • Cálcio (Ca): estrutura celular e sanidade;
  • Magnésio (Mg): fotossíntese;
  • Enxofre (S): metabolismo proteico.

Micronutrientes Importantes:

  • Boro (B), Zinco (Zn), Cobre (Cu), Manganês (Mn) e Ferro (Fe).

4. Adubação de Plantio (CEPLAC)

Recomendação Geral por Cova:

  • 10 a 20 litros de esterco curtido ou composto orgânico;
  • 100 a 200 g de fosfato natural ou superfosfato simples;
  • Micronutrientes conforme análise;
  • Misturar bem ao solo superficial.

Evitar o contato direto do fertilizante com as raízes.


5. Adubação de Formação (0 a 3 anos)

A fase de formação é crítica para o desenvolvimento do sistema radicular e da copa.

Recomendações Médias Anuais (por planta):

  • Nitrogênio (N): 60 a 120 g;
  • Fósforo (P2O5): 40 a 80 g;
  • Potássio (K2O): 60 a 120 g.

Manejo:

  • Parcelar em 3 a 4 aplicações ao ano;
  • Aplicar em coroamento, afastado do caule;
  • Associar matéria orgânica e cobertura morta.

6. Adubação de Produção (Plantas Adultas)

A adubação de produção deve ser ajustada conforme a produtividade esperada.

Recomendações Médias (por planta/ano):

  • Nitrogênio (N): 150 a 300 g;
  • Fósforo (P2O5): 60 a 120 g;
  • Potássio (K2O): 150 a 300 g.

Estratégia CEPLAC:

  • Dividir a adubação em 2 a 3 parcelas;
  • Intensificar após colheitas mais pesadas;
  • Ajustar doses com base na análise foliar.

7. Adubação Orgânica e Matéria Orgânica

A CEPLAC enfatiza o uso de matéria orgânica como pilar da fertilidade.

Fontes Recomendadas:

  • Esterco curtido;
  • Compostos orgânicos;
  • Resíduos vegetais;
  • Adubação verde.

Benefícios:

  • Melhoria da estrutura do solo;
  • Aumento da atividade biológica;
  • Maior eficiência dos fertilizantes minerais;
  • Redução da lixiviação de nutrientes.

8. Micronutrientes e Correções Específicas

  • Boro: essencial para flores e frutos;
  • Zinco: crescimento e brotação;
  • Magnésio: evitar clorose foliar;
  • Aplicar apenas quando indicado por análise.

As aplicações podem ser via solo ou foliar.


9. Época e Forma de Aplicação

  • Preferir períodos chuvosos ou com irrigação;
  • Não aplicar fertilizantes em solo seco;
  • Distribuir uniformemente na projeção da copa;
  • Incorporar levemente quando possível.

10. Relação entre Nutrição e Sanidade

Plantas bem nutridas apresentam:

  • Maior resistência à vassoura-de-bruxa;
  • Menor incidência de podridão-parda;
  • Melhor resposta ao manejo fitossanitário.

O excesso de nitrogênio deve ser evitado, pois favorece doenças.


11. Considerações Finais

A adubação baseada nas recomendações da CEPLAC é uma ferramenta estratégica para alcançar altas produtividades com sustentabilidade. O uso racional de fertilizantes, aliado à matéria orgânica e ao monitoramento nutricional, resulta em lavouras mais equilibradas, produtivas e duradouras.

Este guia serve como referência técnica para produtores, técnicos agrícolas e consultores envolvidos na cacauicultura moderna.